Os passos firmes de Marina Larroudé

Os passos firmes de Marina Larroudé

A paulista radicada em NY acaba de ser reconhecida pela “Time” como uma das lideranças latinas mais influentes dos EUA

Gwyneth Paltrow, Taylor Swift, Selena Gomez e Jill Biden já tinham se rendido à Marina Larroudé muito antes dela ser reconhecida, este mês, pela Time como uma das lideranças latinas mais influentes dos Estados Unidos. “Gosto de peças vibrantes, que evocam alguma emoção. Sempre achei a parte blasé da moda meio passé,” diz Marina, de Nova York, onde mora e comanda sua grife de sapatos e bolsas Larroudé

Lançada em pleno período de pandemia, pouco depois de ser demitida pela primeira vez na vida, Marina teve como bônus fábricas ociosas e ávidas por encomendas. E foi assim que a Larroudé conquistou uma expressividade notável em tempo recorde no disputado mercado norte-americano com um sapato feito no sul do Brasil. 

A marca começou antes lá fora e só abriu aqui sua operação direta com plataforma própria de e-commerce em 2024, com lançamentos simultâneos ao mercado internacional. “Foi uma surpresa maravilhosa. Começamos a vender no Brasil de forma bastante despretensiosa e, há um ano, fizemos nossa primeira ação por aqui. Em apenas um dia, ultrapassamos a marca de R$ 1 milhão em vendas. Foi quando percebemos que tínhamos um business sério aqui também. E temos o meio ponto nos tamanhos de sapatos, algo que não existia no País,” diz Marina.

Um dos grandes pilares estratégicos da Larroudé está em sua estrutura produtiva. Há três anos e meio, toda a fabricação dos calçados é realizada em fábrica própria localizada em Sapiranga, no Rio Grande do Sul, com capacidade fabril de cerca de 30 mil pares por mês e que hoje reúne 700 funcionários, incluindo cerca de 65% de mulheres em cargos de liderança e uma equipe de estilo com dez profissionais liderados por Marina. O que faz com que ela e o marido, Ricardo Larroudé, que é CEO da marca, venham com frequência ao País. 

Sob a premissa da sustentabilidade ética e ambiental, a Larroudé trabalha apenas com curtumes certificados pela ONG global Leather Working Group, se empenha para reduzir qualquer tipo de poluição, usa embalagens feitas de material 100% reciclável e adotou o modelo Direct to Demand, produzindo o que é vendido por meio da pré-venda para reduzir o desperdício. 

Pé no chão também quando se trata de inspiração para coleções, Marina entendeu no varejo a lacuna entre referências longínquas e necessidades reais das mulheres. E também levou esse aprendizado para a Larroudé. “Queremos ser todos os sapatos do guarda-roupa. Desde o modelo que vai ser usado para deixar o filho na escola, até o que vai calçar para um casamento.” Para garantir bem-estar nessa jornada, desenvolveu a palmilha Cloud Memory, cuja espuma tecnológica com amortecimento especial minimiza o desconforto e a fadiga.

A solidez dos negócios da Larroudé reflete diretamente a bagagem profissional de sua fundadora. O fascínio de Marina por sapatos começou cedo, em Araçatuba, no interior de São Paulo. Aos 5 anos, enquanto visitava lojas de calçados com a avó para comprar a famosa Melissinha, ela já demonstrava uma sensibilidade aguçada para as revistas, desfiles e o universo do design. Essa paixão se transformou em carreira após sua graduação em Comunicação pela FAAP, período de quatro anos em que conciliava as aulas noturnas com o trabalho diurno na redação da Vogue Brasil, sob a tutela do então diretor de moda Giovanni Frasson. Determinada a encarar o sonho americano, mudou-se para Nova York sem contatos e enviou mais de 300 currículos até conquistar o primeiro estágio.

A partir daí, construiu uma trajetória em dream jobs. Atuou por oito anos no extinto portal Style.com, onde chegou ao posto de diretora de mercado; em 2014 assumiu a direção de moda da Teen Vogue, trabalhando diretamente com Anna Wintour; e, três anos depois, alcançou o cargo de diretora de moda do departamento feminino da lendária Barneys New York, após um processo seletivo que durou seis meses. Ao supervisionar 22 lojas físicas e o e-commerce da Barneys, Marina adquiriu uma compreensão profunda sobre o varejo de luxo, entendendo como equilibrar o apelo visual do editorial com a conversão real de vendas no balcão. 

No ano passado, a Larroudé foi escolhida como “Marca do Ano” no Footwear News Achievement Awards, considerado nos Estados Unidos o Oscar do universo dos calçados. O reconhecimento está atrelado à performance da marca, que foi moldada a partir do olhar esperto de Marina. “Quando trabalhava na Barneys, via que a cliente queria comprar um item fashion de uma marca que trouxesse desejo, mas acabava levando o que gostava menos, pois fazia sentido do ponto de vista monetário,” diz . Daí veio a sacada de que a Larroudé deveria ser divertida junto com ótima qualidade e preço justo. “Entendi que a consumidora queria o modelo com babado, bolinha ou em tweed. A gente colocou no mercado e fez muito sentido,”diz.

Determinada, criativa e inquieta, Marina tira de letra a agenda superagitada. Às 5h30 já está de pé para malhar bem cedinho e trabalha entre dez e doze horas. “Gosto de ser produtiva, da minha vida sempre bem animada, e acho que Nova York favorece isso porque a cidade é de fácil deslocamento e muito dinâmica”, conta. Com a pré-venda da coleção inverno 2027/28 no site da marca, incluindo os modelos red carpet em parceria com Sergio Hudson (estilista que vestiu Kamala Harris e Michelle Obama na posse de Joe Biden, em 2021), Marina já vislumbra o futuro da Larroudé como uma marca de lifestyle.  

"Representar a comunidade latina e levar o nome e a produção do Brasil para o topo da moda global é algo que me enche de orgulho e reafirma que estamos no caminho certo,” diz Marina. 

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