Em alto-mar com Mickey: nunca diga nunca

Em alto-mar com Mickey: nunca diga nunca

Com saídas de Fort Lauderdale, o cruzeiro da Disney é uma aventura que você encara pelos filhos – e curte tanto quanto eles

Meu último cruzeiro foi há 20 anos, quando embarquei num navio em Havana rumo às praias do Caribe. Me diverti? Com certeza, mas a experiência não foi assim uma Brastemp… A comida era fraquíssima, a estrutura dos lugares onde o navio parava também. Me estressei com a tripulação tentando me vender charutos o tempo todo. 

Depois de jurar que não passaria por isso de novo, em setembro embarquei em um dos cruzeiros mais famosos do mundo, o Disney Destiny, o sétimo da Disney Cruise Line. É… tem quem pense que é cilada, mas garanto que só acha isso quem nunca desfrutou do que chamam “o navio mais feliz do mundo”. 

Felicidade, no entanto, não é a primeira palavra que costuma vir à cabeça quando o assunto é cruzeiro. Poucos temas dividem tanto as opiniões no turismo, mas, quando o navio é da Disney, a conversa muda de figura. 

A experiência começa ainda no terminal de Port Everglades, em Fort Lauderdale, onde até a fila da segurança tem trilha sonora — notas de When You Wish Upon a Star no lugar dos avisos. E há tudo o que envolve a magia da Disney, fora da Disney. 

Parece tentador e, de fato, é. Principalmente se você tem filhos ou é um Disney Freak — adultos que vestem não só a camisa, mas as orelhas e as capas de super-heróis. Afinal, agora a Marvel e a Pixar também estão no pacote.

Depois do controle de segurança, é hora de ativar a MagicBand+, pulseira que abre a cabine e paga as contas a bordo, e cruzar a porta que separa o mar da terra firme. Heróis e vilões são o tema do navio, e a recepção fica a cargo da capitã Minnie, no Grand Hall inspirado em Wakanda, de Pantera Negra.

São 15 andares e cerca de 1.250 cabines para 4 mil passageiros, atendidos por mais de 1,5 mil tripulantes. Esses viajantes se dividem entre os devotos, que não medem esforços, agendam atividades dias antes,  levam fantasias na mala e decoram suas portas com ímãs  — vi uma delas que ostentava mais de 60 barquinhos, um para cada cruzeiro Disney já feito —; e os amadores, que vivem num FOMO eterno, porque há muito a fazer, inclusive ao mesmo tempo. 

É como tentar pular num trem em movimento. Ou você compra uma tiara com orelhas e abraça o Mickey, ou fica de lado. Te recomendo a primeira opção.

É uma viagem para crianças de todas as idades baseada no que a Disney sabe fazer de melhor: entretenimento.  A turma 18+ pode fazer uma degustação de martini ou champagne, se refugiar no spa ou reservar um jantar no Palo Steakhouse ou no Enchanté, comandado pelo chef com três estrelas Michelin Arnaud Lallement. 

Já as crianças de 3 a 10 anos — que estejam aptas a usar o banheiro sozinhas — ficam no Oceaneer Club, com áreas temáticas como a Marvel Super Hero Academy e o Walt Disney Imagineering Lab, onde projetam e testam virtualmente as próprias montanhas-russas.

 

Para as crianças de todas as idades também há muito a fazer: ir ao tobogã temático AquaMouse ou aos espetáculos no estilo Broadway, assistir a filmes no Funnel Vision, o telão do deck da piscina, e se esbaldar em waffles, churros e sorvetes do Mickey. We time e me time. Enquanto as crianças se conectam com a magia, adultos se desconectam dos problemas do lado de fora.

A primeira parada do roteiro de três noites foi Lookout Cay at Lighthouse Point, o refúgio particular da Disney na ilha de Eleuthera, nas Bahamas. Nenhuma criança precisa ser convencida a descer quando o navio atraca: o Meet & Greet com personagens continua à beira-mar regado a frozen — sim, a bebida — para refrescar.

De um lado da ilha, música caribenha. Do outro, cabanas com serviço personalizado, que podem ser reservadas pelas famílias. O fim desse dia não deixa a desejar: voltar para o ar-condicionado do navio e receber uma toalhinha gelada supera, por alguns segundos, qualquer encontro com o Mickey.

Com 4 mil passageiros por viagem, o cruzeiro pode não ser o mais exclusivo. Mas, quando os fogos estouram em alto-mar na Noite dos Piratas, fica difícil discordar da Disney: para quem encontra nas memórias da infância um porto seguro, este é o navio mais feliz do mundo. 

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